sábado, 18 de agosto de 2012

Sobre o filme Nome Próprio


Hoje vi um filme que mexeu comigo. “Nome Próprio”, um filme de Murilo Salles, muito bem protagonizado por Leandra Leal. O filme não chega a narrar uma história com início, meio e fim, não se trata de uma história com final feliz, talvez nem se trate de uma história, mas de fragmentos do cotidiano de um ser qualquer, como eu, ou como você, que vive a incompletude de um destino incerto. 

Pra mim, o filme trata especificamente de solidão. Não uma simples solidão, mas uma complexidade de vazios internos. Uma intensidade de sentimentos não compreendidos, um viver sem regras e ao mesmo tempo, uma busca de freios. Uma inconformidade com o real... Um caminhar descalça em cacos de vidros. 

O filme meio que "sugou" tempos que me pertenceram, espaços que me sobraram... Reflexos de amores que eu perdi ou que eu criei, e que nunca existiram. O filme fala disso. De fantasiar uma vida a dois e imaginar que alguns dias possam ser eternos. E que o amor realmente possa preencher todos os vazios. Que a solidão possa fugir da gente, pelo menos dessa vez. 

A verdade é que esse tipo de solidão não está fora, está dentro. E não há meios de fuga quando a solidão está entranhada em cada célula do corpo, e se espalha por todos os cantos que te pertencem. 

O filme doeu em mim. E talvez tenha doído também em você. Não estamos sós, neste mar de solidão, à espera de alguém que nos resgate. 

(o filme Nome Próprio foi baseado nos escritos de Clarah Averbuck)

Por Mary Paes